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Discurso visita às obras de reforma - Ângelo Oswaldo/Sec. Estadual da Cultura/MG (21.12.02)
Discurso visita às obras de reforma - Adenor Simões (21.12.02)
Discurso reinauguração - José Antônio Sacramento/Pres. IHG (28.06.03)
Discurso reinauguração - Róbson Andrade/pres. FIEMG (28.06.03)
Discurso reinauguração - Adenor Simões/Coord. Projeto de Restauração (28.06.03)
Um ano de reinauguração
Revista Estrada Real (22.04.2003)
Revista Estrada Real
Entrevista
*Todos os discursos estão disponíveis no formato vídeo (DVD) para consulta. Para maiores informações, entre em contato com a administração do Teatro Municipal de São João del-Rei.
IMPRENSA

EVENTO DE REINAUGURAÇÃO - Discurso José Antônio Sacramento/Pres. IHG (28.06.03)

A reabertura do Theatro Municipal de São João d’El-Rey, após passar por um especial processo de restauração e modernização, convida a todos nós para que façamos intimamente um passeio pela história de mais de 110 anos desta Casa de Espetáculos, considerada um dos mais belos teatros-monumentos do interior do Brasil. Como um dos símbolos importantes desta cidade, este Theatro suscita uma eterna saudade, a saudade daquela antiga efervescência artística são-joanense, causa que doravante haveremos de dar-lhe as feições do nosso tempo e bem revigorar.

Então, cada novo esforço empreendido em favor da manutenção desta Casa, desde a sua construção nos idos de 1893 e desde a maior intervenção positiva aqui promovida, entre os anos de 1924 e 1925, pelo então Presidente da Câmara e Agente Executivo Municipal Basílio de Magalhães, expressa a nossa vontade de fazer reviver um tempo que já não existe, mas que se cristalizou na memória coletiva dos são-joanenses. Manter em funcionamento este Theatro, reativando a sua vida artística, não é apenas uma demonstração de zelo pela nossa história, mas de dinamização da própria história. As pessoas desta “briosa e fiel” cidade de São João d’El-Rey necessitam de protagonizar novos tempos, e creio ser isto também o que agora estamos inaugurando com este magnífico exemplo de parcerias produtivas e de boa vontade laborativa. Espero, então, que estes atos sejam o prenúncio de novas ações em favor do povo e da cidade de São João d’El-Rey!

Se a Sócrates parecia mais eficaz caminhar com seus alunos enquanto se pensava e se aprendia, a Platão pareceu melhor criar uma academia, um espaço destinado a produzir conhecimento. É possível, sem dúvida, ensinar e fazer teatro e música em lugares diversos e controversos, mas os prédios podem emprestar qualidades importantes à escola aberta, como a permanência e a ritualidade, bem como recursos apropriados à sua apresentação e à preservação da história e do saber humano. Então, um edifício teatral como este, traduz a importância e a eternidade que se confere ao homem, à sua arte e ao seu conhecimento, sendo também, além de patrimônio material, um precioso patrimônio imaterial.

Para a memória eterna dos acontecimentos, torna-se necessário registrar que esta reforma e modernização, sonho que ora se concretiza, foi uma idéia que nasceu no ano de 1998, com a formidável campanha “Acorda São João d’El-Rey: Salve o Theatro Municipal”, que teve como idealizador o dinâmico Adenor Luiz Simões Coelho, pessoa que veio a se transformar na alma e no corpo dessas obras que ora apresentamos aos senhores; considero que me é impossível falar do nosso Theatro Municipal desde aquela data, sem mencionar a dedicação, a firmeza e a obstinação de Adenor Simões, este "engenheiro diletante" que, diuturnamente, acompanhou passo a passo a elaboração e tramitação dos nossos projetos junto à Lei Estadual de Incentivo à Cultura e que supervisionou, com muita seriedade e carinho, cada etapa desta obra.

Para os confrades e confreiras do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, desde a diretoria passada, da qual tive a honra de ser vice-presidente do prof. e historiador Antônio Gaio Sobrinho, e desta atual, que tenho a felicidade de presidir, foi uma grata satisfação atuar como entidade empreendedora destas obras: é a contrapartida que uma entidade científico-cultural como a nossa, pode e deve oferecer para o povo da cidade de São João d’El-Rey. Possuir um teatro deste porte, restaurado, é um orgulho para a nosso Instituto e uma dádiva para a celebração da arte dramática, da música, das artes plásticas, e também uma oportunidade para a preparação, estudo, pesquisa e criação dos bens da cultura dos quais ainda tanto necessitamos.

Assim, cumpre-me agradecer ao são-joanense dr. Robson Braga de Andrade, presidente do sistema FIEMG, pela boa condução dos nossos pleitos; ao presidente da USIMINAS, dr. Rinaldo Campos Soares, ao seu diretor Romel Erwin de Souza e ao Instituto Cultural Usiminas, que atuaram como mecenas desta obra; ao presidente da Companhia Vale do Rio Doce, dr. Roger Agneli e a Companhia Paulista de Ferro-Ligas, pelo incentivo direto que possibilitou a conclusão destas obras; ao apoio recebido do Governo de Minas Gerais, na pessoa do Exmo. Sr. Governador Aécio Neves; ao apoio da Prefeitura Municipal de São João d’El-Rey, através do prefeito Nivaldo José de Andrade e do seu Secretário Municipal de Governo e Coordenação Política, Roque Silva Filho; ao IEPHA-Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de MG, na pessoa da sua atual presidente Vanessa Borges Brasileiro e da arquiteta Deise Cavalcanti Lustosa; a Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei, na pessoa do seu ex-presidente Rafael Agostini e também do atual, José Primeiro Teixeira Neto, que continua a somar esforços conosco, e a diretoria do Palácio das Artes/Fundação Clóvis Salgado, na pessoa do dr. Mauro Werkema. Agradeço também a todos aqueles que, mesmo não sendo citados, também muito colaboraram para a efetivação desta obra.

Finalmente, é com muita emoção e orgulho que assisto ao abrir-se das cortinas do que um dia foi sonho, mas que hoje já é realidade e espetáculo, e eternamente será símbolo de nosso amor e respeito pelo homem são-joanense e suas criações; este Theatro é um símbolo que atravessará o tempo, trazendo à memória dos são-joanenses as primeiras cenas da arena grega, agora iluminadas com os recursos da tecnologia, da engenharia e da arquitetura teatral contemporânea. Certamente que o modernista Mário de Andrade, esteja onde estiver, já terá sérios motivos para se preocupar com a nossa resposta à ironia que desferiu contra o nosso povo e contra esta Casa, quando alegou, em suas andanças por aqui, que “havia visto um Theatro grego em São João d’El-Rey, no qual jamais Eurípedes seria representado”.

O Theatro Municipal de São João d’El-Rey é um espaço de política cultural cidadã que nesta noite se reabre nesta terra, sob a batuta do nosso conterrâneo Marcelo Ramos e os acordes da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. É um bem que transcende a sua materialidade e reafirma a nossa confiança na educação e no futuro como espaço de encontro e de invenção da feliz cidade e felicidade a que tanto almejamos.

Tudo aqui foi sonho. Tudo aqui foi trabalho. Tudo aqui foi solidariedade. Tudo aqui foi confiança. Tudo foi “acredito”. Tudo aqui, então, com certeza, de agora em diante, deverá continuar a ser zelo, para que, através do nosso Theatro, possamos empreender uma grande ação cultural em benefício da nossa querida São João d’El-Rey! Muito obrigado!

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